terça-feira, 22 de novembro de 2011

Conservação 



As extensas praias do extremo sul do Brasil são levemente inclinadas com
areias finas, o que favorece a existência de uma macrofauna bentônica diversificada e
abundante (SEELIGER et al., 1998). A macrofauna das zonas entremarés das costas
litorâneas tem, geralmente, pouca diversidade, porém uma alta abundância de animais
permanentes e visitantes temporários que dependem desse meio, quando são
comparados com as áreas totalmente submersas (CUNHA, 2004).
Em visitas prévias a Praia da Ribanceira, no município de Imbituba, observouse
que diversos grupos de animais se encontravam nos costões rochosos, entre eles,
cnidários, poríferos, equinodermos e moluscos. No entanto, não há estudos mais
detalhados da biodiversidade animal desta área.
Os ecossistemas costeiros e marinhos ainda carecem de estudos e de
monitoramento da biodiversidade. Os costões, por serem relativamente extensos e,
algumas vezes, por serem inacessíveis ou intransitáveis, dificultam muito a busca de
informações sobre o que acontece nestas regiões (SEELIGER et al., 1998).
Também é importante destacar que fatores como o crescimento demográfico e
a demanda econômica estão causando declínio e empobrecimento dos recursos da
biodiversidade presentes nas zonas costeiras e no mar. Embora essas áreas sejam
também afetadas por mudanças no clima e pelo nível do mar, é a atividade humana que
mais provoca impactos (SEELIGER et al., 1998).
O conhecimento das espécies de moluscos que habitam os ecossistemas
costeiros brasileiros ainda é muito pobre, e, apesar de haver conhecimento mais amplo
das espécies que habitam os ecossistemas marinhos, ainda há muito para ser estudado,
para que se possa chegar a um nível aceitável de informações. Em contraste com o
Litoral norte, que tem a melhor representatividade de espécies em coleções e na
literatura, o Litoral Sul ainda não foi satisfatoriamente explorado, com poucas coletas
efetuadas e irrelevantes registros de espécies (SIMONE, 1999). Como se pode observar
existem algumas informações sobre os costões rochosos e sobre os moluscos, porém,
quase não há dados sobre a diversidade destes animais e sua importância ecológica em
ambientes costeiros.

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Poríferos



O filo Porífera é constituído por animais pluricelulares que apresentam poros na parede do corpo. São conhecidas cerca de 5 mil espécies de poríferos, todos aquáticos. Eles são predominantemente marinhos (minoria em água doce), sendo encontrados desde o nível das praias até uma profundidade de 6 mil metros.
Os poríferos são animais sésseis, fixando-se sobre rochas, conchas, etc. Apresentam formas variadas, sendo assimétricos ou de simetria radial. As maiores esponjas medem 2 metros, mas há espécies minúsculas de l mm.

Embora pluricelulares, os poríferos têm uma estrutura corporal diferente dos demais metazoários. As suas células possuem um certo grau de independência e não se organizam em tecidos.

A parede do corpo é constituída por 2 camadas celulares. A camada externa é formada por células achatadas (pinócitos). Entre os pinócitos, há células maiores e alongadas que se estendem desde a parede externa até a parede interna. São os porócitos, células que possuem um canal em seu interior, que permite a entrada de água do exterior para a espongiocela, através da abertura chamada óstio.

A camada interna é formada por células flageladas providas de um colarinho, formação membranosa que envolve o flagelo. Essas células, chamadas coanócitos, revestem  a esponjiocela ; o batimento de seus flagelos faz com que a água existente em seu interior da cavidade saia pelo ósculo.
Entre as camadas internas e externas há uma mesênquima gelatinosa, nas quais se encontram células e espículas. As células são dotadas de movimento ameboides e por isso são denominadas amebócitos. As espículas são elementos esqueléticos que sustentam a parede do corpo e mantêm a esponja ereta.
Reconhecem-se três tipos estruturas de esponjas : ascon, sicon e lêucon, que diferem entre si pela complexidade da parede do corpo.
O tipo ascon é o mias simples. A parede é fina e possui poros inalantes que se abrem diretamente na espongiocela. Esta é revestida por coanócitos. As esponjas do gênero Leucosoleina pertecem aos ascons.

Nas esponjas do tipo sicon, a parede do corpo é formada por projeções em forma de dedos. Identificam-se dois tipos de canais: os inalantes e os radiais. A água penetra pelas camadas radiais, indo para a espongiocela. Os canais radiais são revestidos internamente por coanócitos.

No tipo leucon, a parede do corpo é mais espessa e percorrida por um complicado sistema de canais. Há canais inalantes e exalantes e, entre eles, câmaras revestidas por coanócitos. A água penetra pelos canais inalantes, passa por câmaras vibráteis e vai à espongiocela pelos canais exalantes. As esponjas adultas não se locomovem. Os poros podem se abrir ou fechar.

A respiração é aeróbia. O Oxigênio penetra na esponja dissolvido na água. Cada célula efetua com o meio trocas gasosas. O gás carbônico produzido sai para o exterior também dissolvido na água.
As esponjas não possuem sistema nervoso e células sensoriais. Apesar disso, a maioria é capaz de contrair-se quando submetida a estímulos fortes. Nesse caso, os estímulos são transmitidos de célula para célula.

A reprodução das esponjas pode ser assexuada e sexuada. No caso da assexuada, reconhecem-se três proceso:

Regeneração: os poríferos possuem grande poder de regenerar partes perdidas do corpo. Qualquer parte cortada de uma esponja tem a capacidade de se tornar uma nova esponja completa.

Brotamento: consiste na formação de um broto a partir da esponja-mãe. Os brotos podem se separar, constituindo novos animais.

Gemulação: é um processo realizado pelas espécies de água doce e alguns marinhos. Consiste na produção de gêmulos, um grupo de ameboides que são envolvidos por uma membrana grossa e resistente.

Quando a reprodução é sexuada, observa-se que a maioria das esponjas é hermafrodita, embora existam espécies com sexo separado, não há gônadas para a formação de gametas, sendo estes originados pelos asqueócitos. A fecundação (interna) e as primeiras fases do desenvolvimento embrionário ocorrem no interior do organismo materno. Nas esponjas do tipo sicon, do ovo origina-se uma larva denominada anifiblástula, que sai pelo ósculo e fixa-se ao substrato, originando uma nova esponja.

As três principais classes de esponjas são: Calcárias, hexactinélidas e desmospôngias.

Calcárias: possuem espículas de carbonato de cálcio. Nessa classe encontram-se esponjas dos tipos oscon, sicon e leucon. São esponjas pequenas e vivem em águas rasas.

Hexactinálidas: possuem espículas silicosas. Na maioria das vezes essas espículas formam uma rede que se assemelha a vidro quando seca, por isso são conhecidas como esponjas-de-vidro.

Desmospôngias: possuem espículas silicosas, fibras de espongina ou ambas. A esta classe pertence a maioria das esponjas. São todas do tipo leucon e apresentam formatos irregulares. Vivem em águas rasas e profundas, e entre elas estão as esponjas de banho.

Alguns exemplos de Poríferos

Esponjas do mar
Sua estrutura

Explicando um pouco sobre Poríferos

Cnidários


O filo Cnidaria é composto por animais diblásticos e aquáticos, sendo que a maioria habita regiões marinhas. Esses indivíduos podem viver livres ou em colônias e podem ser, morfologicamente:

- medusas: livres natantes com aspecto de guarda-chuva aberto, com boca voltada para baixo.
- pólipos: animais sésseis, com aspecto cilíndrico e boca na região superior.

Pólipo e medusa apresentam boca, mas são desprovidos de ânus e, assim, a eliminação de resíduos não aproveitáveis se dá pela boca. Para digestão, a cavidade gastrovascular recebe e distribui o alimento ingerido, anteriormente capturado pelos tentáculos, e este é absorvido pelas células da cavidade. Esta última distribui, além de nutrientes, gás oxigênio para todo o corpo.

O corpo destes animais possui epiderme, que o reveste externamente, e a gastroderme que cobre a cavidade gastrovascular. Entre estas duas camadas há uma terceira: a mesogleia, que confere o aspecto gelatinoso das medusas, uma vez que nestas essa substância é mais abundante.

Para defesa e captura de presas, são utilizados os tentáculos. Estes possuem, em grande quantidade, células denominadas cnidócitos, que ativam o nematocisto, estrutura constituída de um longo filamento, geralmente penetrante, que elimina um líquido urticante que paralisa a vítima.

Cnidários possuem neurônios difusos pelo corpo; a respiração e excreção se dão por difusão e células especiais para contração e distensão auxiliam a locomoção do indivíduo medusoide, sendo que alguns pólipos, como as hidras, podem se locomover.

Os representantes deste filo compreendem três classes:

- Hydrozoa: é representado pelas hidras, medusas menores e formas coloniais, como a caravela, e é a única classe que abriga representantes de água doce. Podem ser pólipos, medusas ou ambos, em casos de alternância de geração. A reprodução pode ser sexuada, com sexos separados e fecundação externa. Nestes casos, o embrião se torna, mais tarde, um pequeno pólipo. Ainda há a reprodução assexuada por brotamento.

- Scyphozoa: a forma medusoide é predominante, com indivíduos geralmente maiores do que os da classe anterior. Quanto à reprodução, um pequeno pólipo dá origem, por estrobilação, a medusas jovens denominadas éfiras (reprodução assexuada). Estas, mais tarde, poderão se reproduzir sexuadamente, desenvolvendo uma larva (plânula) que adquirirá forma polipoide, fechando o ciclo.

- Anthozoa: representantes unicamente polipoides, que podem ser solitários, como as anêmonas-do-mar, ou coloniais, como o coral-cérebro. Muitos corais secretam exoesqueleto calcário, responsável pela formação de recifes. A reprodução pode ser sexuada ou assexuada, mas sem alternância de gerações.

Alguns exemplos de Cnidários


Corais
Hidras                                  
                   
Medusas
Actínia ou Anêmona-do-Mar
Caravelas

Explicando um pouco sobre os Cnidários